Pandemia no mercado

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Matéria assinada pelo jornalista Maurício Meireles, na Folha de São Paulo, dá um panorama dos impactos da pandemia do Novo Coronavírus já sentidos pelo mercado editorial do país. O mais recente foi o anúncio da Livraria Cultura da suspensão de todos os pagamentos de fornecedores por tempo indeterminado. A Saraiva, igualmente em situação de recuperação judicial, já havia pedido renegociação de prazos. Segundo a matéria, as editoras esperam um cenário de catástrofe. Marcos Pereira, sócio da editora Sextante, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros e um dos entrevistados de Meireles, prevê retração de cerca de 70% das receitas no mercado como consequência do fechamento do varejo. Editoras como Sextante, Leya e Record, suspenderam os lançamentos e não têm previsão de retomada. Matéria na íntegra, para assinantes, pelo link https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/03/diante-do-coronavirus-livraria-cultura-suspende-pagamentos-a-editores.shtml?origin=folha.

Antivírus

Mais lista de “livros para enfrentar o confinamento pelo Coronavírus”. Dessa vez as dicas de leitura vêm da revistabula.com, que listou sete bons títulos, cujas tramas se passam em ambientes fechados ou isolados.

“Viagem à Roda do Meu Quarto”, Xavier de Maistre

Publicado em 1794 pelo escritor francês, é considerado, segundo nota da editora Estação Liberdade, uma das obras centrais para a formação do romance moderno.

“As Mil e Uma Noites”

Um dos maiores clássicos da história da literatura, de autor desconhecido, é uma coleção de histórias e contos populares originárias do Médio Oriente e do Sul da Ásia e compiladas em árabe a partir do Século IX.

“A Queda da Casa de Usher”, Edgar Allan Poe

Conto publicado pela primeira vez em 1839, é uma das mais famosas obras da literatura gótica estadunidense, célebre pelo ambiente macabro e inquietante da história.

“Cosmópolis”, Don DeLillo

A história de Eric Packer, milionário de 28 anos, se passa dentro de uma limusine, de onde os personagens entram e saem enquanto as bolsas de valores despencam e manifestações anticapitalistas invadem a cidade de Nova York.

“A Vida Modo de Usar”, Georges Perec

Múltiplas histórias se cruzam no ambiente de um prédio parisiense, onde cada apartamento, cada escada, cada área revela personagens inusitados e narrativas complexas nos mais diversos gêneros, da aventura ligeira ao drama existencialista.

“A Lua Vem da Ásia”, Campos de Carvalho

História passada em um hospício e narrada por um interno, foi lançada originalmente em 1956 e é considerada uma das principais obras do gênero no Brasil.

“A Gargalhada de Sócrates”, Nelson Moraes

Segundo o colunista Edson Aran, da Revista Bula, que assina a seleção, o livro conta a história de Sócrates e do dramaturgo Aristófanes, que investigam um serial killer que está matando todos os filósofos de Atenas. A maior parte da ação se passa na cela do filósofo.

Flip adiada

Foto: flip.org.br

Os organizadores da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) anunciaram ontem (23): está adiada a edição 2020 do evento. Prevista originalmente para o período entre 29 de julho e 2 de agosto, a Festa está sendo reagendada para o próximo mês de novembro. O motivo, claro, o agravamento da pandemia global do Novo Coronavírus.

O medo eterno

Death and the Maiden, do pintor austríaco Egon Schiele

Trecho final de artigo do escritor Mario Vargas Llosa, publicado pelo jornal espanhol El País, após aportar sua confiança no fato de que, a exemplo, de outras pestes, a Pandemia do Coronavírus será logo debelada pelos cientistas. Artigo na íntegra pelo link https://brasil.elpais.com/opiniao/2020-03-18/retorno-a-idade-media.html.

“O que não passará é o medo da morte, do além, que é o que se aninha no coração destes terrores coletivos que são o temor em relação às pestes. A religião aplaca esse medo, mas nunca o extingue, sempre fica, no fundo dos crentes, esse mal-estar que aumenta às vezes e se transforma em medo pânico, do que haverá uma vez que se cruze aquele limiar que separa a vida do que há além dela: a extinção total e para sempre? Essa fabulosa divisão entre o céu para os bons e o inferno para os malvados de um deus brincalhão, que as religiões prognosticam? Alguma outra forma de sobrevivência que não foram capazes de notar os sábios, os filósofos, os teólogos, os cientistas? A peste de repente traz estas perguntas, que na vida cotidiana normal estão confinadas nas profundezas da personalidade humana, para o momento presente, e homens e mulheres devem responder a elas, assumindo sua condição de seres passageiros. Para todos nós é difícil aceitar que tudo de belo que tem a vida, a aventura permanente que ela é ou poderia ser, é obra exclusiva da morte, de saber que em algum momento esta vida terá ponto final. Que se a morte não existisse a vida seria imensamente chata, sem aventura nem mistério, uma repetição cacofônica de experiências até a saciedade mais truculenta e estúpida. Que é graças à morte que existem o amor, o desejo, a fantasia, as artes, a ciência, os livros, a cultura, ou seja, todas aquelas coisas que tornam a vida suportável, imprevisível e excitante. A razão nos explica isso, mas a injustiça que também nos habita nos impede de aceitá-lo. O terror à peste é, simplesmente, o medo da morte que nos acompanhará sempre como uma sombra.”