Ailton Krenak é destacado com o troféu Juca Pato

Aílton Krenak compartilha sabedoria dos povos da floresta para 'adiar o fim  do mundo' - Jornal O Globo
O escritor Ailton Krenak em foto de O Globo

O líder indígena e escritor Ailton Krenak foi o vencedor do 62o Troféu Juca Pato, da União Brasileira de Escritores (UBE). A premiação, segundo o noticiário, destacou a publicação de “Ideias para Adiar o Fim do Mundo”. Escolhido pelos associados à entidade, Ailton concorreu com nomes como Djamila Ribeiro, Eliane Brum e Laurentino Gomes.

Dicas do Estadão

Abaixo, dez obras selecionadas pela equipe do Aliás, do Estadão, entre aquelas publicadas recentemente, para incluir na estante.

“A Marca do Editor”, Roberto Calasso – Âyiné

“O Avesso da Pele”, Jeferson Tenório – Companhia das Letras

“Sarrasine”, Honoré de Balzac – Iluminaras

“Um Apartamento em Urano”, Paul B. Preciado – Zahar

“A Razão Africana”, Muryatan S. Barbosa – Todavia

“Regresso a Casa”, José Luís Peixoto – Dublinense

“Hackeando Darwin”, Jamie Metzl – Faro

“A  Profecia”, David Seltzer – Pipoca & Nanquim

“A Única Mulher”, Marie Benedict – Planeta

“Ingleses no Brasil: Relatos de Viagem, 1526-1608”, Sheila Hue e Vivien K. Lessa de Sá (Org.) – Chão

O céu de Williams

Where to See the Work of Mr. Turner Around America | Arts & Culture |  Smithsonian Magazine

A TEMPESTADE

Um arco-íris perfeito! um amplo

arco no céu do norte

atravessa o lago negro

 

riscado por pequenas ondas

sobre as quais brilha friamente

o sol a sul da cidade

 

desde a colina nua

submetida ao vento que

nada pode perturbar

 

que apenas leva violentamente para

o sul o fumo

de algumas chaminés esquálidas

 

THE STORM

A perfect rainbow! a wide

arc low in the northern sky

spans the black lake

 

troubled by little waves

over which the sun

South of the city shines in

 

coldly from the bare hill

supine to the wind which 

cannot waken anything

 

but drives the smoke from

a few lean chimneys streaming

violently southward

William Carlos Williams – Tradução de José Agostinho Baptista – Assírio & Alvim

Sobre Machado

No próximo dia 29 completam-se 112 anos do falecimento, se não do mais amado, do mais comentado autor brasileiro de todos os tempos: Machado de Assis. E é um desses aspectos, os comentários feitos por outros escritores, que o professor titular de Teoria Literária da Unicamp, Alcir Pécora, aborda em extenso artigo sobre os elementos que moldaram as diferentes visões sobre o autor de “Dom Casmurro” (https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2020/09/origem-social-raca-e-repudio-modernista-moldaram-visoes-sobre-machado.shtml – para assinantes). Na base da análise está o livro lançado em 2018 pela Imprensa Oficial “Escritor por Escritor: Machado de Assis Segundo Seus Pares”, uma antologia de textos de autores brasileiros que escreveram sobre Machado a partir do ano de sua morte em 1908 até 100 anos depois. Machado, como lembra o texto, teve sua vida e obra cercada por acalorados debates envolvendo de questões raciais relativas a sua ascensão social como negro em uma sociedade escravocrata, a traição ou não de Capitu e a incompreensão dos modernistas sobre seu valor literário.

O mundo de Bishop

Além do primeiro volume das memórias de Barack Obama – previsto para 17 de novembro, a Companhia das Letras guarda outras boas surpresas para lançamentos até o final do ano. Ainda neste mês de setembro (29) sai “Questões de Viagem”, de Elizabeth Bishop. Publicado em 1965, o livro é dividido em duas partes: “Brasil”, que inclui onze poemas, e “Outros lugares”, com um conto e cinco poemas. Estão aqui os célebres “Chegada em Santos”, “Manuelzinho” e “O ladrão da Babilônia”, que, segundo nota da editora, revelam o olhar inquieto, arguto e mordaz da escritora que em 1951 desembarcou no porto de Santos para passar duas semanas no país, mas acabou ficando por quase vinte anos. “Considerada uma das poetas mais notáveis do século XX, Bishop é autora de uma obra monumental e, ao mesmo tempo, concisa: em vida, publicou apenas 101 poemas. Ao observar o mundo com genuína curiosidade, sua poesia examina a própria natureza humana, caótica e ambígua, e demonstra o desejo de pertencer a algum lugar.” A tradução é Paulo Henriques Britto.