Clarice definitiva, segundo o Estadão

No mês em que se celebram 100 anos do nascimento de Clarice Lispector, os principais veículos do país vêm publicando uma série de matérias, listas, entrevistas etc. para marcar a data. Abaixo, seleção publicada pelo Estadão de “10 obras definitivas” da escritora.

Perto do Coração Selvagem – Clarice Lispector | Le Livros

-“Perto do Coração Selvagem” – 1943

Primeiro romance publicado por Lispector, ainda aos 19 anos,  narra a vida da protagonista Joana da infância à maturidade, trazendo conflitos mais íntimos e uma voz mais próxima das vanguardas literárias modernistas em termos de linguagem, como Virginia Woolf e James Joyce.

-“O Lustre” – 1946

Outro romance da juventude de Clarice, narra a vida de Virgínia, uma protagonista mórbida, para quem a morte se anuncia desde a infância. 

-“Laços de Família” – 1960

Vencedora do prêmio Jabuti em 1961, a coletânea de contos retrata pessoas comuns que vivem situações de epifania em seus cotidianos.

A Maçã no Escuro – Clarice Lispector | Le Livros

-“A Maçã no Escuro” – 1961

Narra a história de Martim, que busca uma nova existência, refutando os valores defendidos por ele até então, após fugir da cena do assassinato de sua mulher.

-“A Paixão Segundo G.H.” – 1964

G.H. é uma dona de casa, mãe e mulher de classe média que demite sua empregada e decide organizar o quarto onde a funcionária morava. Embora o cômodo esteja limpo, ela se depara com uma barata e aí surge uma das mais icônicas cenas da literatura brasileira.

-“Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres” – 1969

Narra a história de amor entre Loreley (ou Lóri), filha de uma família abastada que sai do interior para viver no Rio de Janeiro, e Ulisses, professor de filosofia em uma Universidade.

-“Água Viva” – 1973

Elaborado a partir de crônicas publicadas na imprensa, o livro radicaliza a experiência de escrita da autora, tornando-se híbrido e sem um tema definido.

A Via Crucis Do Corpo - Clarice Lispector - Traça Livraria e Sebo

-“A Via Crucis do Corpo” – 1974

Na obra de tom erótico, Lispector presta também homenagens formais a autores que desafiaram a moral (e o moralismo) por meio de sua escrita, como Nelson Rodrigues.

-“A Hora da Estrela” – 1977

Último livro publicado em vida pela escritora, narra a história de Macabéa, uma retirante que leva uma vida banal, mas descobre ser vítima de tuberculose. Ela tenta saber mais sobre seu futuro em uma cartomante, mas as previsões acabam não se concretizando. 

-“A Descoberta do Mundo” – 1984

Reúne crônicas escritas para o Jornal do Brasil de 1967 a 1973 sobre temas dos mais variados, de comentários sobre o noticiário até suas angústias e questões mais filosóficas.

Viva Clarice

A escritora brasileira Clarice Lispector, sentada no centro junto a seus pais, Marieta e Pedro. De pé, suas irmãs Tania e Elisa. Todos eles, salvo Tania, abrasileiraram seus nomes ucranianos. Haya era o nome original de Clarice.
Chaya Pinkhasovna Lispector, nome original de Clarice, sentada no centro junto aos pais, Marieta e Pedro. De pé, as irmãs Tania e Elisa.

Ela completaria 100 anos hoje e segue firme no posto de uma das principais escritoras brasileiras de todos os tempos. Clarice nasceu na Ucrânia, veio criança para o Brasil – se considerava pernambucana, e escreveu uma vasta obra em romances, novelas, contos, crônicas e literatura infantil, hoje traduzidos e celebrados no mundo inteiro. Faleceu um dia antes de completar 57 anos, no Rio de Janeiro, em decorrência de um câncer de ovário.

Frases de Clarice

18 curiosidades sobre a vida e a obra de Clarice Lispector – NotaTerapia

Para celebrar os 100 anos de nascimento de Clarice Lispector, completados no próximo dia 10, a Folha de São Paulo publicou recentemente uma série de matérias especiais sobre a escritora. Em uma delas selecionou dez frases da escritora, conhecida também pela sua habilidade com as máximas curtas e diretas. Confira:

“Continuo sempre me inaugurando, abrindo e fechando círculos de vida, jogando-os de lado, murchos, cheios de passado.”Perto do Coração Selvagem

“Escrever sempre me foi difícil, embora tivesse partido do que se chama vocação. Vocação é diferente de talento. Pode-se ter vocação e não ter talento, isto é, pode-se ser chamado e não saber como ir.”A Descoberta do Mundo

“Quem já não se perguntou: sou um monstro ou isto é ser uma pessoa?”A Hora da Estrela

“Escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida.” Um Sopro de Vida

“Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada.” Água Viva

“A loucura é vizinha da mais cruel sensatez.”Aprendendo a Viver

“Mas existe um grande, o maior obstáculo para eu ir adiante: eu mesma. Tenho sido a maior dificuldade no meu caminho. É com enorme esforço que consigo me sobrepor a mim mesma.”Um Aprendizado ou o Livro dos Prazeres

“Não muda nada. Escrevo sem esperança de que alguma coisa que eu escreva possa mudar o que quer que seja. Não muda nada.” Entrevista ao programa “Panorama”

“Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome.”Perto do Coração Selvagem

“Escrevo simplesmente. Como quem vive. Por isso todas as vezes que fui tentada a deixar de escrever, não consegui. Não tenho vocação para o suicídio.” Depoimento a Olga Borelli.

Saramago faz 98 anos

Companhia das Letras on Twitter: "Conheça a coleção José Saramago exclusiva  da @Saraiva, inspirada no projeto gráfico da Porto Editora, de Portugal.  https://t.co/QQFWbAVD82… https://t.co/0q6yqaMImq"

É tempo de celebrar e homenagear José Saramago. O Prêmio Nobel de 1998, falecido em 2010, teria completado 98 anos na última segunda-feira (16). Como parte das celebrações, a Companhia das Letras vem ao longo deste ano publicando novas edições dos livros do escritor com projeto gráfico do ateliê Silvadesigners. A série traz os títulos escritos na caligrafia de personalidades portuguesas e brasileiras e substitui as antigas edições do autor, hoje esgotadas no país. Confira os volumes já publicados e as respectivas caligrafias dos títulos.

“Ensaio sobre a Cegueira” – Chico Buarque
“O Homem Duplicado” – Lídia Jorge
“História do Cerco de Lisboa” – Álvaro Siza Vieira
“Ensaio sobre a Lucidez” – Julián Fuks
“O Ano da Morte de Ricardo Reis”, Daniela Thomas
“Caim” – Milton Hatoum
“Claraboia” – Fernanda Torres
“Memorial do Convento” – Raduan Nassar
“A Caverna” – Eduardo Lourenço
“As Intermitências da Morte” – Valter Hugo Mãe
“A Jangada de Pedra” – Ana Maria Machado
“O Evangelho Segundo Jesus Cristo” – Sebastião Salgado
“Todos os Nomes” – Fernanda Montenegro
“Levantado do Chão” – Mia Couto

Dupla celebração

O Menino Maluquinho, quem diria, acaba de completar 40 anos. O clássico personagem criado por Ziraldo em 1980 já foi astro de cinema, estrelou musical e filme de animação, vendeu mais de 4 milhões de livros, teve 129 edições e foi publicado em mais de uma dezena de países. Em 2018 “contracenou” com outro personagem clássico no livro “MMMMM – Mônica e Menino Maluquinho na Montanha Mágica”, uma parceria entre Ziraldo e Maurício de Souza, com história de Manuel Filho. O “Menino” comemorou aniversário ontem (26), mesma data que seu criador celebrou 88 anos de vida.