O que virá?

Noam Chomsky: ''existe o risco iminente de uma guerra civil nos Estados  Unidos'' - Carta Maior
Foto: cartamaior.com.br

O que muda no mundo pós-pandemia segundo um dos mais conhecidos intelectuais norte-americanos da atualidade, o filósofo e linguista Noam Chomsky. A resposta abaixo faz parte de entrevista ao repórter André Cáceres, de O Estado de SP, publicada no Aliás.

“Cabe a nós determinar. Há forças trabalhando por objetivos muito diversos. A pandemia, como outras crises com as quais nos deparamos, tem profundas raízes em instituições de poder, em particular na ordem neoliberal que foi imposta pelos últimos 40 anos pelo poder privado e pelos governos que servem aos seus interesses. Eles estão trabalhando duro para garantir que o que emergirá será uma versão mais austera e autoritária do que eles criaram. Forças populares por todo o mundo estão tendo dificuldades para superar a crise e criar uma ordem social mais livre e justa. Quem vai prevalecer é uma questão de ação, não de especulação.”

“Isso é muito triste”

Jeffrey Sachs | Newstalk
Sachs em imagem da Newstalk

Trecho de entrevista recente do economista Jeffrey Sachs publicada no Eu&Fim de Semana do Valor Econômico. Conselheiro de Bernier Sanders, consultor-sênior do secretariado-geral da ONU para o Desenvolvimento Sustentável e apontado pela “The Economist” como um dos três economistas mais influentes do mundo, Sachs é autor, entre outros, de “O Fim da Pobreza” e “A Era do Desenvolvimento Sustentável”. No trecho abaixo sua resposta para uma questão que tem sido debatida intensamente por todos nos últimos meses.

Valor: O senhor imagina que o mundo possa ter alguma mudança depois da pandemia?

Sachs: Pode, porque há mais gente decente do que vigaristas neste mundo. Assim, Trump, por exemplo, que é uma pessoa absolutamente horrível e tem um comportamento horroroso, mentiroso, um trapaceiro, uma fraude, tem o apoio de um terço do eleitorado americano. Isso é muito triste. É gente muito ingênua. E Trump tenta apelar para o ódio deles. Especialmente contra os negros. Mas ele não tem a maioria o apoiando. Por outro lado, ele é um tipo traiçoeiro, que se envolve em fraudes e trapaças. Não é fácil tirá-lo do poder. Vamos ter uma grande eleição dentro de pouco tempo, em novembro. Muito crítica, crucial. Muitos já disseram nos últimos dias, e é importante pensar nisso, que a democracia nos Estados Unidos está em risco.

Llosa entrevista Borges

O espanhol El País publicou no domingo passado entrevista inédita feita pelo peruano Mario Vargas Llosa com o argentino Jorge Luis Borges, no apartamento de Borges, na região central de Buenos Aires, em 1981. A conversa entre dois dos maiores nomes da literatura do continente faz parte do novo livro de Llosa, “Medio Siglo com Borges”, que está sendo lançado pela Alfaguara. Matéria na íntegra pelo link https://brasil.elpais.com/cultura/2020-06-14/borges-em-sua-casa-uma-entrevista-de-mario-vargas-llosa.html.

Fica a dica

Foto: Companhia das Letras

Trecho de entrevista recente da escritora e filósofa Djamila Ribeiro à BBC Brasil onde analisa o comportamento do brasileiro perante o racismo.

“É importantíssimo a gente refletir, parar de naturalizar aqui no Brasil esses assassinatos de jovens negros — a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil. E o quanto a gente precisa pensar esses desafios aqui dentro do nosso país, sobretudo num momento de muita repressão aos movimentos sociais, num momento de corte de políticas públicas para populações negras.

Acho extremamente importante o que acontece nos Estados Unidos, mas chamo atenção para que as pessoas tenham mais consciência sobre o que se passa aqui no Brasil, na nossa realidade, que as pessoas negras historicamente vêm denunciando mas que infelizmente as pessoas parece que não enxergam quão grave é esse problema ético que temos no país, de assassinato de pessoas negras.”