Sophia Loren retorna em história de Romain Gary

Uma das maiores atrizes da história do cinema mundial está de volta às telas em novo filme adaptado de “A Vida pela Frente”, de Romain Gary – publicado aqui no ano passado pela Todavia. Afastada do cinema desde “Nine”, de Rob Marshall (2009), Sophia Loren, 86 anos, retorna em atuação comovente como Madame Rosa em “Rosa e Momo”. Dirigida pelo filho Edoardo Ponti, ela vive uma prostituta judia que inicia uma amizade singular com um garoto senegalês, imigrante e órfão. A nova versão da história escrita por Gary, que já havia sido adaptada para o cinema em 1978 pelo israelense Moshe Mizrahi no filme “Madame Rosa – A Vida pela Frente”, já está disponível no Netflix.

O livro, lançado sob o pseudônimo de Émile Ajar, foi publicado na França em 1975 e rendeu ao escritor um feito ainda hoje inédito: foi o único na história premiado duas vezes com o Goncourt, principal distinção literária do país.

Adélia inconsolável

Construir um relógio de sol | Educar e inspirar | Space Awareness
Foto: Space Awareness

A QUE NÃO EXISTE

Meus pais morreram,

posso conferir na lápide,

nome, data e a inscrição: SAUDADES!

Não me consolo dizendo

‘em minha lembrança permanecem vivos’,

é pouco, é fraco, frustrante como o cometa

que ninguém viu passar.

De qualquer língua, a elementar gramática

declina e conjuga o tempo,

nos serve a vida em fatias,

a eternidade em postas.

Daí acharmos que se findam as coisas,

os espessos cabelos, os quase verdes olhos.

O que chamamos morte

é máscara do que não há.

Pois apenas repousa

o que não pulsa mais.

Adélia Prado – “Miserere”

Os 120 anos do pai do Pequeno Príncipe

Na próxima segunda-feira, 29, completam-se 120 anos do nascimento de Antoine de Saint-Exupéry. O escritor francês e piloto de aviação, célebre no mundo inteiro por “O Pequeno Príncipe” (1943), ficou conhecido também pela sua morte trágica no final da Segunda Guerra Mundial, quando seu avião foi abatido por um piloto alemão. Os restos do caça de Saint-Exupéry foram encontrados em 2004 no litoral da Marselha. Seu corpo, entretanto, nunca foi localizado.

A aviação foi um tema constante na obra do escritor. Sua estreia, em 1926, foi com “O Aviador”, seguido de “Correio do Sul”, “Voo Noturno”, “Terra dos Homens”, “Piloto de Guerra”, “O Pequeno Príncipe”, “Carta a um Refém” e “Cidadela”, lançado postumamente em 1948.

Beauvoir inédito

Será lançado na França, no próximo mês de outubro, um romance inédito de Simone de Beauvoir. “Les Inséparables” é dedicado à curta amizade da escritora com Zaza, a garota que conheceu aos nove anos e de quem foi inseparável até sua morte repentina aos 22 anos, em 1929. É a primeira obra de ficção da autora de “O Segundo Sexo” que chega aos leitores 34 anos após a morte de Beavouir. A expectativa é que o livro seja lançado no Brasil, também em outubro, pela editora Record.

Novo livro de Thomas Piketty nas prateleiras

Já tem data para chegar ao mercado de língua inglesa o novo livro de Thomas Piketty, autor de “Capital no Século 21”, estudo do economista francês sobre a desigualdade, com mais de 2,5 milhões de exemplares vendidos no mundo e publicado aqui em 2013, pela Intrínseca. Seis anos depois, sua nova obra, “Capital e Ideologia”, recém-lançada na França, ganha versão em inglês em março do ano que vem. Dessa vez, Piketty põe em questão a superação do “hipercapitalismo” e defende que todas as ideologias acabam sendo substituídas por outros sistemas de organização, e que o mesmo vai acontecer com o regime atual.

Trecho de entrevista concedida pelo autor à Agência France-Presse (AFP) por ocasião do lançamento de “Capital et Idéologie”:

“É hora de fazer um balanço das decisões tomadas desde os anos 80 e 90. No início da década de 2020 podemos ver seus limites com uma globalização altamente desigual, que é desafiada por muitos e que nutre avanços identitários extremamente perigosos. A revolução conservadora de Ronald Reagan e Margaret Thatcher, assim como a queda do comunismo soviético, deram uma espécie de impulso a uma nova fé, às vezes ilimitada, na autorregulação dos mercados, na sacralização da propriedade. Mas é um movimento que, acredito, está chegando ao fim.”