Poemas de Lousie Glück ganham edições no Brasil

Louise Glück's Poetry of a Million Beginnings - The Atlantic
Foto: theatlantic.com

Até então praticamente inédita no Brasil, a Nobel 2020 Louise Glück vai ganhar uma sequência de edições no país a partir do ano que vem. Segundo a Folha de SP, a Companhia das Letras tem planos de lançar quatro volumes, compilando um total de nove livros da poeta americana. Ainda no primeiro semestre deve sair uma coletânea que reúne “Faithful and Virtuous Night”, lançado há cinco anos e vencedor do National Book Award, e os suas duas obras anteriores, “A Village Life” e “Averno”. “Winter Recipes from the Collective”, ainda não publicado nos Estados Unidos, já tem tradução confirmada no Brasil para o segundo semestre do ano que vem. Nos anos seguintes, também de acordo com a Folha, a editora planeja publicar mais duas edições reunindo cinco livros mais antigos da autora, como “The Wild Iris”, “Ararat” e “The Triumph of Achilles”.

Domingo com Emily

Farmhouse on the Prairie Painting by Sharon France | Saatchi Art
Farmhouse on the Prairie, Sharon France/EUA – Saatchi Art

Para fazer uma campina

Basta um só trevo e uma abelha.

Trevo, abelha e fantasia.

Ou apenas fantasia

Faltando a abelha.

To make a prairie it takes a clover and a bee.

One clover, and a bee,

And revery.

The revery alone will do,

If bees are few.

Emily Dickinson

Seleção – Edição 1992 – Editora Hucitec – Tradução de Idelma Ribeiro de Faria.

26 anos sem Bukowski

Poema “O Pássaro Azul”, do também contista e romancista Charles Bukowski. Nascido em 16 de agosto, em Andernach, na Alemanha, e falecido em 9 de março de 1994, em Los Angeles, nos EUA, Bukowski é autor de grandes sucessos como “Cartas na Rua”, “Factotum”, “Mulheres”, “Misto Quente”, “Pulp” e “Crônica de Um Amor Louco”.

Um romance musical

A dica vem do Caderno2, do Estadão, que em edição recente entrevistou o escritor, considerado um dos principais nomes da nova ficção americana, Paul Beatty, autor de “Slumberland – A Batida Perfeita” e vencedor do Man Booker Prize e do National Book Critic Circle Award. O livro, lançado originalmente em 2011, foi publicado pela primeira vez em português no ano passado pela Todavia, com tradução de Rogerio Galindo.

Um livro sobre amor, sexo e raça, que tem como protagonista Ferguson Sowell, um músico que acabou de compor a batida perfeita. Especialista em trilhas sonoras para o cinema pornô, ele finalmente chegou ao que chama de sua Mona Lisa: uma batida que resume a própria existência humana. “Mas ainda falta algo para que ele atinja os píncaros da imortalidade artística: uma colaboração do jazzista Charles Stone, que desapareceu na Alemanha nos anos 1960. Sua única pista o leva a Berlim e ao bar Slumberland”, assinala nota de apresentação da editora.

Mais Frost

Frost em foto de Alfred Eisenstaedt

Do poeta norte-americano, Robert Frost (1874-1963), conforme tradução publicada na zagaiaemrevista.com.br.

A Trilha Que Não Tomei

Duas trilhas divergiam sob árvores amarelas

E eu, triste por não poder percorrer ambas

E permanecer um, detive-me em longa espera

E olhei tão abaixo quanto pude uma delas

Até onde se dobrava entre as plantas;

Então tomei a outra, tão bela quanto correta,

E talvez por ser a mais atraente

Por seu gramado almejar o passeio como meta,

Embora passasem por ali de forma reta

E usassem ambas de maneira semelhante,

E ambas igualmente deitassem naquela manhã

Em folhas que nenhum passo tornara pretas.

Ah, eu guardei a primeira para o amanhã!

Ainda que soubesse como à seguinte leva uma direção

Duvidei se um dia deveria voltar atrás.

Eu contarei isso enquanto expiro

Em algum lugar, em tempos e tempos:

Pois duas trilhas em um bosque divergiram, e eu,

Eu tomei aquela que menos percorreram,

E isso fez toda a diferença.

The Road Not Taken

Two roads diverged in a yellow wood,

And sorry I could not travel both

And be one traveler, long I stood

And looked down one as far as I could

To where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,

And having perhaps the better claim

Because it was grassy and wanted wear,

Though as for that the passing there

Had worn them really about the same,

And both that morning equally lay

In leaves no step had trodden black.

Oh, I kept the first for another day!

Yet knowing how way leads on to way

I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh

Somewhere ages and ages hence:

Two roads diverged in a wood, and I,

I took the one less traveled by,

And that has made all the difference.