Camões eterno

Hoje, 10/06, celebra-se 440 anos da morte do autor da maior epopéia portuguesa de toda a história da literatura, “Os Lusíadas”. Pouco se sabe ao certo sobre a vida de Luís Vaz de Camões, mas presume-se que tenha morrido aos 56 anos. Aparentemente, nasceu em Lisboa e, embora não se tenha registros oficiais, teria frequentado a Universidade de Coimbra onde teria sido um aluno indisciplinado, mas ávido por conhecimento.

Camões é autor de vasta e reconhecida produção nos gêneros lírico, épico e teatral, mas foram os dez cantos e 1.102 estrofes num total de 8.816 versos decassílabos de “Os Lusíadas”, publicado pela primeira vez em 1572, que o consolidaram para sempre no panteão dos grandes nomes da literatura universal.

As armas e os barões assinalados
Que, da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram.

…..
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

— “Os Lusíadas”, Canto I

Hoje e amanhã

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Poema de 1928 do mais universal dos poetas de língua portuguesa, Fernando Pessoa (1888-1935)
Hoje Estou Triste, Estou Triste
Hoje stou triste, stou triste.
Starei alegre amanhã…
O que se sente consiste
Sempre em qualquer coisa vã.Ou chuva, ou sol, ou preguiça…
Tudo influi, tudo transforma…
A alma não tem justiça,
A sensação não tem forma.Uma verdade por dia…
Um mundo por sensação…
Stou triste. A tarde está fria.
Amanhã, sol e razão.

O diário de Saramago

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Saramago em Lanzarote, no Arquipelágo espanhol das Ilhas Canárias, em foto do acervo da Fundação José Saramago

Segundo notícia divulgada essa semana pela agência de notícia AFP, oito anos após sua morte, um diário do Prêmio Nobel de Literatura (1998) José Saramago foi encontrado em seu computador. A viúva do escritor, Pilar Del Rio, informou que uma edição do diário deve ser publicada no próximo mês de outubro, na Espanha e em Portugal. A obra seria o sexto e último volume dos “Cadernos de Lanzarote”.

Descobrindo Sophia

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Para quem não teve a chance de conhece-la quando apresentada pela cantora Maria Bethânia com o seu belíssimo “Mar de Sophia”, em 2006, ou pelos trechos de seus poemas estampados no Oceanário de Lisboa, mais uma chance. Um novo título de Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) chega às livrarias em edição da Companhia das Letras: Coral e Outros Poemas, uma antologia organizada por Eucanaã Ferraz que dá uma panorâmica da obra da poeta portuguesa.

A autora teve seu primeiro livro, Poemas Escolhidos, lançado no Brasil em 2004. Para esse ano estão previstos ainda, segundo os jornais, Obra Poética pela Tinta da China e Sophia: Singular Plural, reunião de ensaios, pela 7Letras.

Sophia manteve, na década de 60, uma ligação estreita com o Brasil, que lhe rendeu diversos poemas e uma sólida amizade com escritores como Manuel Bandeira, Murilo Mendes e João Cabral de Melo Neto.

Terror de te amar

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa