Morre o mestre da espionagem

John Le Carré
Le Carré em foto de Tom Jamieson/The New York Times

Anunciada ontem (13) a morte de um dos mais célebres escritores britânicos da atualidade. Faleceu de pneumonia, na noite de sábado (12), aos 89 anos, John Le Carré. O autor de clássicos como “O Espião que Saiu do Frio” e “O Jardineiro Fiel”, este último levado adaptado para o cinema pelo brasileiro Fernando Meirelles em 2005, nasceu em 19 de outubro de 1931, em Poole, na Inglaterra, e trabalhou por quatro anos no corpo diplomático britânico nos anos 60. Publicou seu primeiro livro, “O Morto ao Telefone”, em 1961 e em 2008 foi classificado em 22º lugar na lista dos “50 Maiores Escritores Britânicos desde 1945” do The Times.

Morre Mercedes Barcha

Gabo e Mercedes sentados em trem olhando em direção à janela
Foto: Alejandra Vega/AFP

Morreu no último sábado (15), na Cidade do México, Mercedes Barcha Prado, mulher de Gabriel García Márquez (1927-2014). Nascida em 1932, em Magangué, norte da Colômbia, Mercedes casou com o escritor em 1958 e seguia ativa na Fundação Gabo e na organização da obra do marido.

Nova baixa na cultura

Foto: G1-Globo

Continua a triste escalada do empobrecimento cultural do país. Morreu na sexta-feira (29), aos 63 anos, vítima de um câncer no pâncreas, o jornalista e escritor Gilberto Dimenstein. Com uma carreira de sucesso na escrita, teve uma atuação destacada na cobertura jornalística de temas sociais, que marcaram também sua produção literária. É autor, entre outros títulos, de “A República dos Padrinhos: Chantagem e Corrupção em Brasília” (1988), “As Armadilhas do Poder – Bastidores da imprensa” (1990), “A Guerra dos Meninos – Assassinatos de Menores no Brasil” (1995), “A Democracia em Pedaços” (1996), “O Aprendiz do Futuro” (1997), “O Mistério das Bolas de Gude” (2006), “Fomos Maus Alunos” (2009) e vários outros, em parceria com outros autores, como “O Brasil na Ponta da Língua” (2002), com Pasquale Cipro Neto; “Prazer em Conhecer” (2008), com Miguel Nicolelis e Drauzio Varella e “É Rindo que se Aprende” (2011), com Marcelo Tas.

Dimenstein se dedicou ainda a projetos educacionais, era presidente do conselho da Orquestra Sinfônica de Heliópolis, em São Paulo, e membro do conselho consultivo do Museu do Amanhã, no Rio. Foi também criador do site Catraca Livre, eleito o melhor blog de cidadania em língua portuguesa pela Deutsche Welle em 2012 e apontado pela Universidade de Oxford, BBC e Financial Times como uma das mais importantes inovações digitais de impacto social no mundo em 2013.

Nova perda irreperável para a literatura do país

Depois de Rubem Fonseca (15/04), Luiz Alfredo Garcia-Roza (16/04) e Sérgio Sant’Anna (10/05), entre tantos outros, mais uma perda na triste contabilidade da pandemia: prestes a completar 87 an0s, morreu, no Rio de Janeiro, a poeta, jornalista e tradutora Olga Savary. A notícia da morte foi confirmada ontem (16) ao jornal Folha de SP pelo ex-marido da poeta, o cartunista Jaguar.

Nascida em Belém do Pará no dia 21 de maio de 1933, Olga Savary ficou conhecida, entre outras obras, por “Magma”, uma coletânea de poemas eróticos, lançado em 1982. Foi, também, tradutora reconhecida por versões de Pablo Neruda e Mario Vargas Llosa e premiada, entre outros, com o Jabuti de 1971 pelo seu livro de estreia em poesia “Espelho Provisório”.

Ycatu

E assim vou

com a fremente mão do mar em minhas coxas.

Minha paixão? Uma armadilha de água,

rápida como peixes,

lenta como medusas,

muda como ostras.

*Do tupi “água boa”

Mais uma baixa na literatura

Sant’Anna em foto do jornal O Globo

A pandemia tem resultado em um prejuízo sem precedentes também para a cultura nacional. Só nos últimos dias foram abatidos dois importantes patrimônios da música e das artes plásticas: o compositor Aldir Blanc e o pioneiro da arte cinética no país, Abraham Palatnik. Na literatura, depois de perdas como Rubem Fonseca (15/04) e do escritor e professor Luiz Alfredo Garcia-Roza (16/04), ontem (10/05) foi a vez de Sérgio Sant’Anna, de 78 anos, morto em decorrência da Covid-19.

Abaixo, cinco obras do autor listadas pelo jornal Folha de São Paulo. Todas foram editadas pela Companhia das Letras.

“O Concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro”

Coletânea de contos lançada em 1983, premiada com o Jabuti.

“O Homem-Mulher”

Volume de conto finalista do Prêmio Oceanos de 2015.

“O Livro de Praga”

Reunião de sete narrativas lançada na coleção Amores Expressos.

“Um Crime Delicado”

Romance passado no Rio de Janeiro, que tem como narrador um crítico de arte.

“O Voo da Madrugada”

Reunião de histórias urbanas cheias de erotismo e morte.