A casa mexicana de Garcia Márquez

Gonzalo García Barcha, filho de Gabriel García Márquez, na biblioteca de seu pai na Cidade do México.
Gonzalo García Barcha na biblioteca do pai na Cidade do México. Teresa de Miguel/El País

Matéria recente do El País destaca a casa do escritor Gabriel García Márquez na cidade do México onde se instalou pela segunda vez, e para sempre, aos 52 anos. A casa conserva o estúdio onde o escritor trabalhava e uma biblioteca com cerca de 5 mil títulos do seu acervo pessoal. Segundo a matéria, o bibliotecário pessoal de Márquez, de 2007 até a morte do escritor em 2014,  Iván Granados, levou anos dividindo os livros em quatro áreas: traduções dos seus próprios títulos, dicionários e enciclopédias, livros de documentação com os quais preparava sua obra, e a literatura de interesse pessoal – romance, poesia, ensaio, jornalismo, cinema e política. O acervo do escritor está hoje dividido, também, com a Biblioteca Nacional da Colômbia e com a Universidade do Texas, em Austin, EUA. Reportagem completa pelo link https://brasil.elpais.com/cultura/2020-08-05/gabo-a-biblioteca-de-um-viajante.html.

Dicas do Josimar

A boa dica de leitura, no caso com a temática viagens ao Oriente, vem do colunista da Folha, Josimar Melo. Em coluna recente (íntegra pelo link, https://www1.folha.uol.com.br/col,unas/josimarmelo/2020/03/se-oriente.shtml, para assinantes), o crítico de gastronomia comenta “A Arte de Viajar”, do filósofo Alain de Botton, lançado aqui em 2002, pela Intrínseca, e  “A Ponte das Turquesas”, da arqueóloga e historiadora brasileira Fernanda de Camargo-Moro. Esse último, em edição da Record, de 2005, segundo apresentação da editora, narra uma viagem histórica, cultural e gastronômica pelos corredores dos palácios, pelas delícias da cozinha bizantina e turca e pelos mistérios do harém e seu verdadeiro significado no mundo oriental.

Seleção da Bula para inspirar viagens

A revistabula.com selecionou 10 livros de ficção “que trazem em suas histórias destinos inspiradores da vida real”. Veja abaixo:

“A Insustentável Leveza do Ser”, Milan Kundera – PRAGA

“Bonequinha de Luxo”, Truman Capote – NOVA YORK

“O Amor Segundo Buenos Aires” – BUENOS AIRES

“O Grande Bazar Ferroviário”, Paul Theroux – EUROPA E ÁSIA

“On The Road”, Jack Kerouac – ESTADOS UNIDOS

“O Palhaço e sua Filha”, Halide Edib Adivar – ISTAMBUL

“Paris é uma Festa”, Ernest Hemingway – PARIS

“Sidarta”, Herman Hesse – ÍNDIA

“Trem Noturno para Lisboa”, Pascal Mercier – LISBOA

“Veneza”, Jan Morris – VENEZA

Rio literário

Ilustração do El País

Os vestígios literários do Rio de Janeiro em diferentes épocas, conforme matéria publicada pelo jornal espanhol El País:

-Machado de Assis – Século XIX. Os casarões de Santa Teresa, as mansões de antigos bairros elegantes como Botafogo, onde é possível visitar, por exemplo, a casa de Rui Barbosa. Na região central, destacam-se a Confeitaria Colombo, a Academia Brasileira de Letras e o Teatro Municipal.

-Século XX – O Rio de Stefan Zweig – O escritor chegou à cidade em 1941 pelo Aeroporto Santos Dumont e foi hospedado com todas as honras no Copacabana Palace. Infeliz pelas sucessivas viagens fugindo do nazismo, Zweig busca refúgio em Petrópolis, onde é possível visitar a casa onde acabou se suicidando em 1942, ao lado da mulher Lotte.

-O Rio de Rosa Chacel – A escritora viveu por mais de 30 anos na cidade, em um dos “exílios menos documentados/e mais interessantes dos escritores republicanos depois a Guerra Civil Espanhola”. Chegada ao Rio em 1940, Rosa morou em plena avenida Nossa Senhora de Copacabana até seu retorno à Espanha na década de 70. Traços desse passado ainda podem ser vistos, segundo a matéria, no bairro Peixoto e na extravagância art déco de edifícios como o Ophir Guahy e outros tantos da avenida Atlântica. Quando queria fugir da claustrofobia de seu exílio, Chacel fazia excursões à Ilha de Paquetá.

-Em 1951 chegava ao Rio a poeta americana Elizabeth Bishop. Veio para passar 15 dias e acabou ficando 15 anos e vivendo uma relação tempestuosa e apaixonada com a arquiteta Lota Macedo Soares. Viveu na Praia do Leme, no prédio ainda hoje existente, o Mandori, próximo ao restaurante La Fiorentina. Na mesma região viveu Clarice Lispector, na rua Gustavo Sampaio, 88. Como Zweig, Bishop se encantou por Petrópolis, em cuja aldeia de Samambaia compartilhou com Lotta uma casa mítica da arquitetura moderna brasileira, projetada pelo arquiteto Sérgio Bernardes, em 1951.

Seguindo os passos de Zweig e Bishop, Manuel Puig chegou ao Rio depois de uma vida errante pela Europa e Estados Unidos. O escritor desembarcou em 1980 vindo da Argentina. Morou no Alto Leblon, no número 57 da rua Aperanal, em um edifício cercado por amendoeiras do mar, mangueiras, mimosas e flamboyants. “Árvores antigas…estão bem conservadas com suas orquídeas e bromélias fixadas aos troncos por gerações de jardineiros e moradores. Ainda há vestígios do gosto burguês de então, azulejos e pastilhas de cor pastel, grades e varandas de ferro forjado que lembram a era de ouro do bairro, nos anos cinquenta”.